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A experiência de trabalhar na Oncoclínica por Marco Philipe.

A experiência de trabalhar na Oncoclínica por Marco Philipe.

Nossos guerreiros e seus ensinamentos
O nordestino é, antes de tudo, um forte. Assim, Euclides da Cunha

descreveu os sertanejos magros e maltratados do início do século XX, uma

revolução do pensamento que até então se tinha dos moradores do ambiente

hostil da caatinga nordestina. Da mesma forma, paulatinamente se quebram

paradigmas em relação ao paciente oncológico: não mais visto como um

infortunado, mas um guerreiro e, dessa forma, por definição, um potencial

vencedor.

 

Pelo que lutam, então, esses guerreiros? Responder que é simplesmente

por suas vidas, seria ignorar as múltiplas dimensões do ser humano. Trabalhar

acompanhando as sessões de quimioterapia na Oncoclínica nos permite

conhecer várias histórias e esboçar de uma resposta mais completa.

Antes de Cristo, Hipócrates já dizia: curar quando possível; aliviar quando

necessário; consolar sempre. Aceitar que não se domina plenamente o curso da

vida é o primeiro passo para compreender que o paciente oncológico não é

injustiçado pelo destino. Sob o olhar mais atento, é uma pessoa que tem a chance

de levar sua vida sem receios, diferentemente da maioria dos outros, que, muitas

vezes, desperdiçam o tempo por julgá-lo infinito.

 

As pessoas com câncer lutam pela felicidade – de si próprias e dos seus.

Rapidamente, compreendem que a alegria não advém necessariamente da

absoluta extirpação da doença, uma vez que somos humanos e a morte é nosso

destino inalterável. A vitória vem de percorrer o trajeto da vida aproveitando

cada momento, deixando bons frutos, amando e chorando, quando necessário.

Todas as pequenas conquistas, como voltar para casa depois de uma internação

hospitalar, cuidar da sua plantação, de seus animais, retomar o trabalho, rever os

amigos, abraçar os filhos, pais, netos, irmãos, vizinhos ou um estranho, são – com

razão – festejadas e fazem seus dias mais pontilhados de alegrias.

 

Buscar a cura é, sim, no entanto, um objetivo justo. O diagnóstico cada vez

mais precoce, os tratamentos mais efetivos e o corpo profissional de vanguarda

tornam a expectativa de cura cada vez maior. Para nós, funcionários, trabalhar

em um serviço que oferece o melhor para o paciente, deixa a sensação de

completude profissional; o ambiente leve e os sorrisos fáceis que se encontram

na clínica, trazem a humanidade que muitas vezes falta em serviços de saúde. Os

dias de trabalho na Oncoclínica são, na verdade, reuniões com nossos amigos, os

pacientes, juntos com os quais passamos pelo tratamento com leveza e fé.

 

A experiência que se adquire dos guerreiros com câncer reside, assim, no

aprender a valorizar a vida. O paciente oncológico é quase sempre um desafio,

comumente um vitorioso, mas sempre um professor.
Marco Philipe Teles é médico e faz parte da equipe de quimioterapia da Oncoclínica.

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