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Saúde

Como evitar enjoos durante o tratamento

Como evitar enjoos durante o tratamento

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Durante o tratamento oncológico, os pacientes têm que lidar com os efeitos colaterais da quimio e da radioterapia. Ambos resultam em toxicidade para o trato gastrointestinal, o que, consequentemente, leva ao desinteresse pela alimentação, náuseas, vômitos, disgeusia (alteração ou distorção do sentido do gosto/paladar), mucosite (inflamação da mucosa de revestimento do tubo digestivo), diarreia, xerostomia (redução da produção de saliva/boca seca), entre outros. E a alimentação, que era para ser fonte de prazer, acaba se tornando insatisfatória.
 
“Nesses casos, a intervenção nutricional por meio da orientação alimentar e da prescrição de suplementos é necessária para minimizar o impacto no estado nutricional, visto que a perda de peso é frequente em pacientes com câncer”, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo.
O primeiro passo é conscientizar o paciente da necessidade de comer, embora as náuseas e os vômitos estejam constantemente presentes. Uma das dicas da nutricionista é fracionar o que se come em mais partes, reduzindo o volume por refeição e fazendo de seis a oito refeições ao dia. “Sabemos que o jejum prolongado é um dos fatores que provocam o enjoo, por isso é necessário realizar mais refeições por dia, em menores quantidades”.
 
Além disso, 5 alimentos podem ser grandes auxiliares no combate ao enjoo:
 
Menos saliva
Dê preferência aos alimentos mais secos, como torradas, pães, bolachas e biscoito (sem recheios). A consistência desse tipo de alimento auxilia no controle da sialorreia (aumento da produção de saliva), um dos sintomas comuns durante a náusea. Outro fator importante é que, por serem fontes de carboidratos, são de fácil mastigação, digestão e absorção, contribuindo com o controle da taxa de açúcar no sangue (glicemia). Também apresentam sabor neutro, o que diminui o estímulo sensorial do reflexo do vômito.
 
Fácil digestão
Banana nanica é um ótimo aliado para ajudar a controlar o enjoo, além de ser um alimento com consistência mole, o que torna a digestão mais fácil e reduz a possibilidade de contração do estômago, que pode causar o vômito. A fruta também é rica em potássio, que controla o vômito, e vitamina B, que ajuda a evitar a náusea.
 
Quanto mais frio, melhor!
Procure consumir raspadinha de gelo ou mesmo um cubo de gelo 40 minutos antes das refeições. Inclusive, se possível opte pelas preparações em temperatura ambiente ou por ingerir alimentos frios. A baixa temperatura amortece os receptores de paladar, o que pode ajudar na deglutição do alimento.
 
Azedinho do bem
Frutas cítricas (como limão, por exemplo), são ricas em ácido fólico, uma vitamina do complexo B que estimula a formação dos ácidos digestivos, favorecendo o esvaziamento gástrico e diminuindo o surgimento de enjoos. Alguns pacientes reduzem muito a sensação de náusea ao chupar sorvete de limão ou mesmo a fruta in natura.
 
Hidrate-se
Deve-se priorizar a ingestão de oito a dez copos de líquidos entre as refeições para evitar desidratação. Essa medida minimiza a pressão no estômago, reduzindo a ocorrência de refluxo. Entre os líquidos, boas opções são os líquidos claros, como sucos, chás e caldos, limitando o uso de líquidos com muita cafeína, incluindo refrigerantes à base de cola, café e chá preto ou mate ou verde.
 
Dicas da nutricionista

 

  • Evite que o paciente fique próximo à cozinha na hora do preparo da refeição para impedir que os cheiros dos alimentos durante a cocção acentuem as náuseas;
  • Prepare pratos visualmente agradáveis e coloridos;
  • Use talheres de plástico, caso o sabor de metal esteja interferindo no sabor dos alimentos;
  • Mantenha a cabeça elevada 45° durante e após as refeições;
  • Crie sempre um ambiente agradável para se alimentar. Mesas bem arrumadas, conversas agradáveis e um bom fundo musical podem ser úteis.

 

Fonte: Instituto Vencer o Câncer.

Dr. João Batista Segundo fala sobre a dor.

A dor aguda e crônica é uma experiência desagradável que leva os pacientes em geral

e em especial os pacientes oncológicos ao rompimento da qualidade de vida, da

funcionalidade, do sono e na maioria dos casos acarretando depressão ou ansiedade.

Sabe-se que a dor oncológica afetou cerca de 17 milhões de pessoas no mundo nos

últimos 30 anos, a grande maioria sem tratamento ou controle adequado do seu quadro

doloroso. Logo, faz-se necessário um atendimento especializado ao paciente com câncer tendo

em vista que 30-40% desses pacientes em tratamento ativo têm dor oncológica e cerca de 80-

90% dos mesmos têm dor intensa na doença avançada.

Diante desse quadro, na condição de profissionais da saúde, devemos sempre avaliar

detalhadamente os pacientes com câncer com o objetivo de quantificar a dor e classificá-la.

Assim, a dor oncológica pode ser multifatorial: relacionada ao tumor, ao tratamento ou à

presença de morbidades associadas. Ainda podemos dividi-las em dor nociceptiva somática ou

visceral, dor neuropática ou dor mista, destacando-se que a maioria dos pacientes, com o

avançar da doença, apresentam dores mistas – o que implica tratamento específico para cada

tipo de dor.

Com relação ao primeiro fator, os tumores que mais freqüentemente apresentam dor

são os tumores ósseos ou metástases para ossos (comuns nos casos de câncer de mama,

pulmão e próstata), as neoplasias de pâncreas e os tumores de cabeça e pescoço com invasão

de estruturas nervosas. Nesses quadros, na maioria das vezes, há necessidade de tratamento

intensivo da dor com medicamentos e bloqueios anestésicos.

De todo modo, existem sinais de alarme na investigação de uma dor crônica. Por

exemplo, no caso de uma dor lombar quando o paciente apresenta, além dela:

emagrecimento, febre, déficits neurológicos, perda da função urinária ou fecal, dor constante

no repouso e em progressão, é preciso investigar esse paciente com exames de imagem e

muitas vezes descartar lesões como tumores, hérnia de disco, infecções ou fraturas.

Após avaliação do médico especialista em dor, e elucidada uma síndrome dolorosa

para o paciente, pode-se lançar mão de investigações complementares como exames

laboratoriais, neurofisiológicos ou de imagem. Esses exames auxiliam o médico na investigação

da causa da dor e na sua classificação. Por exemplo, o paciente com câncer pode evoluir com

uma dor aguda lombar e, na investigação por imagem, ser detectado uma fratura patológica

de coluna – o que demonstra que o melhor caminho é buscar cobrir o máximo de

possibilidades.

Em todo caso, estabelecido um diagnóstico, o tratamento é bastante amplo e se baseia

em terapia medicamentosa, tratando a dor em si, a insônia e a depressão; terapias com

procedimentos minimamente invasivos, como os bloqueios anestésicos ou neurolíticos; e

neurocirurgias funcionais para vias nociceptivas. Além disso, nunca é demais frisar, é

fundamental o acompanhamento interdisciplinar com psicólogos, médicos fisiatras,

acupunturistas, oncologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e enfermeiros.

Na terapia medicamentosa, as drogas de uso consagrado são os opióides, sendo a

morfina o seu protótipo. Porém, se a dor principal do paciente é uma dor neuropática, o

tratamento específico muda e são utilizados medicamentos antidepressivos, antiepiléticos, ou

ainda anestésicos locais em adesivos a fim de tratar os sintomas neuropáticos – que são dores

em choque ou queimação em geral. No caso de uma dor miofascial, a conduta principal é

reabilitar o paciente quanto à desordem que causou a disfunção muscular, usando relaxantes

musculares e agulhamentos dos pontos-gatilho ativos.

Seja como for a abordagem da dor oncológica, devemos sempre almejar a melhora na

qualidade de vida do paciente, enxergando-se a dor não como uma palavra ou um sintoma

isolado, e sim como uma síndrome, ou seja, uma conjugação de sinais e sintomas a ser

decifrada, oncositesendo de suma importância ter-se em mente, durante a investida, o conceito de dor

total, em que o indivíduo como um todo, com seus caracteres fisiológicos, sociais, emocionais

e até espirituais, é o centro do problema e a chave para a reabilitação.

João Batista Alves Segundo

Adaptando-se às Mudanças

No período entre o diagnóstico do câncer e durante todo o tratamento, pode ser que você tenha uma série de adaptações para fazer e vivenciar.

É muito comum, durante o tratamento de um câncer, o paciente precisar parar de trabalhar por um período. Essa mudança pode influenciar em todos os aspectos da vida: financeiro, social, familiar, pessoal.

Isso requer uma grande adaptação de todos os envolvidos.

Vamos pensar juntos…

No nosso dia-a-dia exercemos várias funções:

  • De pai ou de mãe.
  • De marido ou de esposa.
  • De provedor ou de dona de casa, provedora.
  • De funcionário, funcionária ou de chefe.
  • De filho ou filha.
  • De amigo ou amiga.
  • E muitas outras.

Por conta disso, regras são estabelecidas:

  • Você faz isso.
  • Você paga isso.
  • Eu levo as crianças na escola.
  • Eu faço as compras e vou ao banco.

E, normalmente, diante de uma doença (uma situação crítica) todas essas funções e regras precisam ser revistas e rearranjadas e isso não é fácil!

Casais podem se desentender, filhos e pais brigam por causa de novas tarefas, amigos se afastam e outros se aproximam. O que pode ajudar?

  • Converse com sua esposa ou marido sobre as mudanças no casamento, vida sexual, dinheiro, filhos e outras decisões que precisam ser acertadas.
  • Converse com a sua família sobre as mudanças e novas funções.
  • Se alguém estiver sobrecarregado, peça ajuda a um amigo, pode parecer que não, mas você vai saber reconhecer qual o amigo disponível.
  • Peça ajuda e aceite ajuda, seja para buscar o filho na escola, pagar uma conta, fazer o supermercado, etc.
  • Caso você não consiga se adaptar as mudanças, procure a ajuda de um profissional psicólogo. Ele poderá te ajudar nesse momento.

    Fonte: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/adaptandose-as-mudancas/1055/314/